Uma mensagem com nome de advogado, fotografia e número de processo não basta para confirmar quem está do outro lado. Antes de enviar documentos ou fazer um pagamento solicitado por um contato inesperado, confira a identidade por um canal que você já conhece.
O chamado golpe do falso advogado explora justamente essa aparência de legitimidade. A campanha da OAB alerta para o uso indevido de identidade e de informações processuais em abordagens por aplicativos e redes sociais. A prevenção começa pela verificação, sem necessidade de expor seu caso publicamente.
O que merece conferência?
Preste atenção quando a mensagem apresenta cobrança inesperada, mudança de número, pedido de documentos ou alegação de liberação de valores. Esses elementos precisam ser verificados; um sinal isolado não permite concluir, automaticamente, que houve crime.
A pressão para resolver tudo no mesmo contato pode dificultar a conferência. Em vez de se orientar apenas pelo tom da mensagem, procure responder a uma pergunta concreta: consigo confirmar a solicitação por um meio independente?
Um roteiro de verificação antes de agir
- Guarde a mensagem. Preserve o conteúdo recebido e os dados do contato.
- Procure o canal conhecido. Use as informações que você já tinha do escritório ou as que constam do contrato, em vez de depender do link enviado pelo contato suspeito.
- Confirme a solicitação. Pergunte se a mensagem e a orientação partiram, de fato, da equipe responsável.
- Confira a identidade profissional. Acesse você mesmo os serviços oficiais da OAB, sem fornecer senhas ou códigos bancários.
- Esclareça a finalidade. Antes de qualquer envio, compreenda a relação da solicitação com o serviço ou procedimento.
Esse roteiro é uma medida de prudência. Não substitui a análise de uma cobrança concreta nem torna toda comunicação nova irregular.
Como usar a informação da OAB
A OAB disponibiliza o ConfirmADV, ferramenta de verificação de identidade integrada ao cadastro profissional. Consulte as instruções na própria plataforma oficial. Não conclua que a mera existência de uma inscrição prova que toda mensagem usando aquele nome foi enviada pelo profissional.
Se o serviço estiver indisponível ou a dúvida persistir, retome o contato pelo canal previamente conhecido. A verificação deve ser combinada com a confirmação da solicitação, não usada como selo automático de segurança para um pagamento.
Se você já fez um Pix
Entre em contato com seu banco pelos canais oficiais tão logo perceba a suspeita, relate o ocorrido e solicite a avaliação da transação e do procedimento de devolução aplicável. O Banco Central orienta o contato com a instituição e o registro de ocorrência. No Pix, o MED é um mecanismo de análise de devolução em situações de fraude; não representa garantia de recuperação integral.
Guarde o comprovante e os protocolos fornecidos. Não faça novo pagamento a quem promete “desbloquear” ou recuperar o valor sem antes verificar a identidade e o fundamento da solicitação. As medidas cabíveis dependem do que ocorreu, do meio utilizado e dos documentos disponíveis.
Quais registros preservar?
Organize as conversas, os números ou perfis usados, datas, horários e os documentos enviados. Se houver transação, separe seu comprovante e as informações já disponíveis sobre o destinatário. Mantenha os arquivos originais; capturas de tela podem ajudar a organizar o relato, mas não substituem a preservação do material existente.
Ao procurar os canais oficiais para comunicar a suspeita, descreva os fatos conhecidos. Não publique acusações contra alguém cuja identidade não foi confirmada. Dados de terceiros e informações do processo também precisam de cuidado.
Prevenção para clientes e familiares
Compartilhe com quem auxilia você no acompanhamento do processo a orientação de confirmar contatos por canais conhecidos. Uma pessoa da família pode receber a mensagem antes da outra; alinhar esse cuidado reduz desencontros sem transformar a relação com o escritório em desconfiança permanente.
A informação correta dá espaço para uma decisão consciente. Não é necessário aceitar uma promessa de urgência apenas porque o interlocutor conhece um dado do processo.
Perguntas frequentes
Foto e número de processo confirmam o remetente?
Não são suficientes para essa conclusão. A identidade e a solicitação devem ser verificadas.
Consultar um registro profissional valida qualquer cobrança?
Não. Cadastro e autoria de uma mensagem são questões diferentes.
Registrar uma ocorrência garante devolver o dinheiro?
Não. O registro e a comunicação ao banco são providências de encaminhamento, sem garantia de resultado.
Antes de agir, confirme o contato pelos canais que já conhece e consulte o serviço oficial da OAB. Informações institucionais da RDM estão em seu site. Não envie documentos ou detalhes do processo nos comentários deste conteúdo.
Conteúdo preventivo e informativo. Não declara fraude em uma situação individual nem promete recuperação de valores.



