Você acabou de ser demitido, recebeu uma proposta de acordo “pra ontem” ou percebeu que vinha acumulando horas extras sem pagamento. A pergunta chega rápido, e com razão: quanto custa um advogado trabalhista — e, principalmente, como evitar pagar caro por uma decisão apressada.
Na prática, o valor de um advogado trabalhista não é um número único. Ele muda conforme o tipo de caso, o risco envolvido, a urgência e até a estratégia (negociar antes, entrar com ação, produzir provas, recorrer). O que dá para fazer — e é o que você precisa agora — é entender os modelos de cobrança, o que costuma influenciar o preço e quais sinais indicam um serviço sério.
Quanto custa um advogado trabalhista: o que define o valor
O custo de um advogado trabalhista é definido por uma combinação de três coisas: complexidade, tempo de trabalho e responsabilidade jurídica. Uma análise de rescisão com documentos organizados tende a ser bem diferente de uma ação com discussão de vínculo, comissões variáveis, metas, adicional de insalubridade e prova testemunhal disputada.
Também pesa se você está buscando uma orientação pontual (para decidir se assina um acordo) ou uma representação completa (do início até audiência, perícia, recursos e execução). Quanto maior o caminho, maior o esforço necessário — e, portanto, maior a remuneração.
Caso “simples” existe, mas nem sempre é simples
Muita gente chama de “simples” o que é apenas familiar: horas extras, intervalo, verbas rescisórias. Só que o “simples” muda quando entram elementos como banco de horas irregular, cargo de confiança, trabalho externo, controle por aplicativo, metas, e-mails fora do expediente ou pagamento “por fora”. Um detalhe muda o enquadramento e muda a estratégia.
Modelos de cobrança mais comuns (e quando fazem sentido)
Não existe um único jeito correto de cobrar, mas existem formatos mais adequados para cada situação. O ideal é que o contrato deixe claro: o que está incluído, o que é cobrado à parte e qual é o momento de pagamento.
Honorários de êxito (percentual sobre o que você recebe)
Esse é o modelo mais comum em ações trabalhistas individuais. O advogado recebe um percentual do valor que o cliente ganha ou efetivamente recebe ao final (por acordo ou sentença/execução). A lógica é direta: o risco é compartilhado.
O ponto de atenção aqui não é “se” existe êxito, e sim como ele é calculado: incide sobre o bruto ou líquido? Inclui valores de INSS/IR? Como funciona se houver acordo parcial? Se houver recurso e aumentar/diminuir o valor, muda o percentual? Um contrato bem feito evita discussão futura.
Honorários fixos (consulta, parecer, análise de documentos)
Honorários fixos são comuns quando você precisa de uma entrega objetiva: revisão de TRCT, cálculos iniciais, análise de acordo, redação de notificação, estratégia de negociação. É a modalidade que dá previsibilidade para quem quer decidir com segurança antes de entrar em disputa.
Esse formato costuma ser eficiente quando o seu objetivo é não judicializar de imediato — ou quando você quer saber, com base em documentos, se vale a pena avançar.
Modelo híbrido (fixo + êxito)
Em muitos casos, o modelo mais equilibrado é um valor inicial para cobrir trabalho técnico (estudo, petição, organização de provas) e um percentual de êxito para alinhar incentivos ao resultado. Isso é frequente quando existe urgência, volume de documentos ou alta chance de audiência e recursos.
Para o cliente, o benefício é evitar o cenário em que “tudo depende do final” e, ao mesmo tempo, manter o compromisso do escritório com o resultado.
O que pode aumentar (ou reduzir) o custo do seu caso
O preço final não depende só do tema “trabalhista”. Depende do desenho do problema. Alguns fatores costumam pesar:
1) Urgência real
Se você precisa de atuação imediata — por exemplo, uma negociação para evitar prejuízo, uma resposta formal rápida, ou uma medida urgente — o custo tende a ser maior, porque exige reorganização de agenda e priorização de equipe.
2) Quantidade e qualidade das provas
Quando o cliente traz holerites, controles de ponto, e-mails, conversas e contrato, a análise anda mais rápido. Quando não há documentos e tudo depende de testemunhas ou perícia, o caso exige mais trabalho e tem mais risco. Risco e trabalho influenciam honorários.
3) Número de pedidos e teses
Uma ação focada (por exemplo, diferenças de verbas rescisórias) costuma ser mais enxuta do que uma ação com múltiplos pedidos, reflexos e teses alternativas. Não é “proibido” pedir mais, mas pedir bem dá trabalho: exige cálculos, enquadramento jurídico, narrativa consistente e prova alinhada.
4) Fase do processo e possibilidade de recurso
Atuar desde o início é diferente de “assumir” um caso já em andamento, com prazos correndo e decisões anteriores. Também muda quando o processo vai para execução (hora de cobrar o que foi ganho), porque pode envolver pesquisa patrimonial, impugnações, embargos e parcelamentos.
Custos além dos honorários: o que você precisa prever
Um erro comum é olhar apenas para honorários e esquecer os demais custos possíveis. Dependendo do caso, pode existir:
- Custas e despesas processuais, especialmente em recursos e em situações específicas do procedimento.
- Despesas com diligências, cópias, deslocamentos e obtenção de documentos.
- Perícia (por exemplo, insalubridade/periculosidade), com regras próprias sobre adiantamento e responsabilidade final, conforme o andamento e o resultado.
Além disso, há um tema que precisa ser tratado com seriedade: riscos de sucumbência (honorários devidos à parte contrária) em determinadas hipóteses, conforme a dinâmica do processo e os pedidos formulados. Um advogado responsável não promete “risco zero”; ele explica cenários e ajuda você a decidir com previsibilidade.
Vale mais a pena pagar consulta ou já fechar o caso?
Se você ainda está formando convicção — “tenho direito mesmo?”, “assino o acordo?”, “o valor oferecido é justo?” — uma consulta bem conduzida costuma economizar tempo e dinheiro. É onde você transforma ansiedade em plano: quais documentos importar, quais mensagens salvar, que tipo de prova pode ser útil e qual caminho (negociação, acordo, ação) faz sentido.
Se a situação já está madura (demissão consumada, documentos em mãos, tentativa de acordo frustrada, prazo apertado), fechar a representação completa pode ser mais eficiente. O importante é não pular a etapa de alinhamento: objetivo, estratégia, risco e custo precisam estar na mesma página.
Como saber se o valor cobrado é justo (sem cair em armadilhas)
Preço baixo pode ser oportunidade — ou pode ser sinal de atendimento genérico e alto volume, com pouca profundidade no seu caso. Preço alto pode refletir complexidade e estrutura — ou pode ser apenas marketing. O critério mais seguro é clareza.
Você deve sair da conversa entendendo: qual é o seu melhor cenário e o seu pior cenário; o que depende de prova; em quanto tempo as etapas costumam acontecer; e o que está incluído nos honorários. Se o profissional evita falar de riscos, ou promete vitória garantida, não é sinal de confiança — é sinal de imprudência.
Também observe se o advogado faz perguntas específicas. Trabalho bom começa com diagnóstico detalhado: jornada real, forma de controle, metas, comissões, benefícios, histórico de advertências, mensagens, testemunhas possíveis, e como foi a rescisão. Quem decide rápido demais, sem investigar, geralmente está trabalhando no automático.
E para empresas e startups: o custo muda?
Muda bastante, porque o foco costuma ser preventivo e estratégico. Para empresas, “quanto custa um advogado trabalhista” pode significar desde uma defesa em reclamatória até uma revisão de práticas internas para reduzir passivo: contratos, políticas de ponto, comissionamento, banco de horas, terceirização, PJ, estagiários, e regras de home office.
Nesses casos, é comum ver modelos por pacote mensal (assessoria) ou por projeto (auditoria trabalhista, revisão de contratos, treinamento). O ganho aqui é previsibilidade e redução de risco: muitas disputas nascem de rotinas mal documentadas, não de má-fé.
Quando agir rápido muda dinheiro (e não é exagero)
No trabalhista, timing importa. Mensagens se perdem, plataformas apagam histórico, testemunhas mudam de emprego, documentos somem. Uma orientação rápida ajuda a preservar prova e a evitar decisões irreversíveis — como assinar um acordo sem entender reflexos, ou aceitar uma rescisão com valores faltando.
Se você está em São Paulo e precisa de atuação objetiva, com orientação clara e resposta rápida, a equipe da RDM Advogados costuma conduzir esse tipo de avaliação com foco em estratégia e execução, sem promessas fáceis e com alinhamento transparente de custos e próximos passos.
Um cuidado final que evita dor de cabeça
Antes de fechar, peça o contrato de honorários e leia como quem lê um acordo: o que entra, o que sai, quando paga, como funciona se houver acordo, recurso ou encerramento antecipado. Justiça do Trabalho é técnica, mas a contratação não precisa ser um mistério.
Se a sua dúvida é “quanto custa”, a resposta mais útil é: custa menos quando você decide com informação, e custa mais quando você deixa a urgência decidir por você. Escolha com calma — e com alguém que trate o seu caso como único, porque é exatamente isso que ele é.