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8 tipos de advogados para startups no Brasil

Entenda os tipos de advogados para startups e quando contratar: societário, tributário, trabalhista, contratos, M&A, LGPD e mais.
8 tipos de advogados para startups no Brasil

Uma startup costuma descobrir que “produto” e “empresa” são coisas diferentes no dia em que um investidor pede due diligence em 10 dias, um cliente grande exige cláusulas pesadas de SLA, ou um ex-colaborador ameaça levar o código embora. Nessas horas, não falta criatividade — falta estrutura jurídica. E estrutura, para startup, não é burocracia: é velocidade com controle de risco.

Quando se fala em tipos de advogados para startups, a pergunta real é outra: quais especialidades você precisa ter por perto em cada fase para não travar o crescimento nem criar passivos que explodem mais adiante? A resposta envolve prioridades, timing e um pouco de humildade para aceitar o “depende” onde ele é inevitável.

Por que startups precisam de advogados diferentes ao longo do tempo

Startups mudam de forma rápido. No início, o foco é existir com o mínimo de atrito: abrir CNPJ, alinhar sócios, emitir nota, contratar gente, fechar os primeiros contratos. Depois, o tema vira escala: padronizar termos, reduzir risco operacional, organizar governança, preparar captação. Em algum momento, o que era “um combinado por WhatsApp” vira um passivo trabalhista, um conflito societário ou um contrato que impede pivotar.

É por isso que não existe “um advogado para tudo” como solução permanente. Existe coordenação: uma advocacia com visão empresarial, que chama as frentes certas na hora certa e evita duas falhas comuns. A primeira é contratar tarde, quando o problema já está caro. A segunda é contratar cedo demais um pacote inchado, que consome caixa e cria processos que o time não consegue manter.

Tipos de advogados para startups (e o que cada um evita)

A seguir, você encontra as especialidades que mais aparecem no dia a dia de startups brasileiras. Nem todas serão prioridade para a sua agora — mas é importante saber onde cada peça entra.

1) Advogado societário (ou empresarial): o “chassi” da startup

O societário é o advogado que dá forma à empresa: tipo societário, contrato/estatuto social, regras de entrada e saída de sócios, vesting, acordos de sócios, poderes de administração e mecanismos para resolver impasses.

Ele é decisivo porque a maior parte das crises de startup não nasce no produto; nasce em desalinhamento entre fundadores. Um acordo bem escrito não elimina conflito, mas impede que conflito paralise a operação.

Trade-off real: documentos sofisticados demais no início podem criar custos e rigidez. Por outro lado, o “depois a gente vê” vira briga justamente quando a empresa começa a valer algo. O melhor desenho é o que antecipa o provável sem engessar o improvável.

2) Advogado de contratos: receita sem dor de cabeça

Startups vivem de contratos: com clientes (B2B, enterprise), com fornecedores, com parceiros, com canais, com influencers, com marketplaces. O advogado de contratos ajuda a padronizar modelos, negociar cláusulas críticas e, principalmente, alinhar risco com a realidade operacional.

Aqui, o ganho é prático: limitar responsabilidade de forma defensável, definir SLA que o time consegue cumprir, prever reajustes, regras de rescisão, propriedade intelectual, confidencialidade e penalidades proporcionais.

Ponto sensível: contrato não é para “ganhar a discussão”, é para evitar a discussão. Se o texto é tão agressivo que afasta o cliente, ele falha como ferramenta comercial.

3) Advogado de propriedade intelectual (PI): o que é seu, continua sendo seu

Marca, software, design, conteúdo, banco de dados, segredo de negócio: tudo isso pode ser ativo. O advogado de PI atua no registro de marca, cessões, licenças, proteção de código e estratégia para evitar que a startup dependa de um direito que não é dela.

Um erro recorrente é contratar dev, agência ou freelancer sem contrato de cessão adequado. Quando aparece investimento ou venda, alguém pergunta “quem é o titular?” e a resposta vira um problema.

Aqui também existe “depende”: nem toda tecnologia é patenteável, e nem todo registro precisa acontecer no dia 1. Mas cessão de direitos e política de uso de ativos criativos raramente podem esperar.

4) Advogado de proteção de dados (LGPD) e ciberincidentes: confiança é um ativo

Se a startup coleta dados pessoais — de leads a dados sensíveis — ela precisa de base legal, transparência, segurança e governança. O advogado com foco em LGPD desenha políticas, termos, mapeamento de dados, contratos com operadores e resposta a incidentes.

Na prática, ele evita dois custos: o custo jurídico (sanções, notificações, litígios) e o custo comercial (perda de contrato enterprise por falta de compliance mínimo). Muitas empresas grandes exigem evidências de controles antes de assinar.

Trade-off: compliance que vira “projeto eterno” mata a agilidade. O caminho mais inteligente é adequação por risco: começar pelo que você coleta, por onde transita e quem acessa.

5) Advogado tributário e planejamento fiscal: caixa preservado

Tributo não é um detalhe contábil; é decisão estratégica. O tributarista ajuda a escolher regime tributário, estruturar precificação com imposto em mente, revisar enquadramentos e mitigar riscos de autuação.

Em startups, há dois extremos perigosos: pagar demais por insegurança (e perder fôlego) ou pagar de menos por “jeitinho” (e criar passivo que inviabiliza investimento). Planejamento não é mágica; é previsibilidade.

Em alguns casos, ele também participa de reestruturações (holding, reorganização societária) quando a operação cresce ou quando uma rodada exige ajuste.

6) Advogado trabalhista: equipe crescendo sem passivo escondido

Contratar rápido é parte do jogo, mas contratar mal custa caro. O trabalhista orienta modelos de contratação (CLT, PJ, estagiário), políticas internas, controle de jornada, acordos, desligamentos e prevenção de litígios.

O ponto mais sensível para startups é o “PJ de fachada”: parece econômico no curto prazo, mas pode virar ação com alto risco no longo prazo. Outro tema comum é confidencialidade e não concorrência — que precisam ser proporcionais para serem defendidas.

Trade-off: excesso de formalidade pode travar contratações. Ausência de formalidade cria insegurança para a empresa e para o colaborador. O meio termo é documentar o essencial e manter rotinas simples.

7) Advogado de M&A e investimentos: quando o jogo muda

Captação, SAFEs, notas conversíveis, mútuos, rodada seed, Série A, venda parcial, incorporação: quando o dinheiro grande entra, o nível de exigência muda. O advogado de M&A e investimentos estrutura a operação, lidera ou responde à due diligence, negocia termos e protege o controle do negócio.

Aqui, “economizar” costuma sair caro. Uma cláusula de liquidação preferencial mal compreendida ou um direito de veto amplo demais pode alterar o destino da empresa. Ao mesmo tempo, insistir em termos irreais pode afastar bons investidores.

A habilidade é negociar sem ilusão: entender o que é padrão de mercado, o que é red flag e o que é negociável conforme tração e concorrência pela rodada.

8) Advogado consumerista e contencioso cível: quando o volume traz atrito

Startups B2C e marketplaces lidam com reclamações, chargebacks, Procon, plataformas de resolução, publicidade, cancelamentos e vícios de informação. Um advogado com visão consumerista ajusta fluxos, termos e atendimento para reduzir litigiosidade.

Mesmo em B2B, conflitos de cobrança, inadimplemento e rescisões aparecem. Ter alguém que conheça contencioso e estratégia de recuperação pode evitar que o jurídico vire apenas “apagador de incêndio”.

O trade-off aqui é reputacional: algumas disputas valem ser encerradas rápido para preservar marca, mesmo quando a empresa “tem razão”. Outras precisam de firmeza para evitar efeito manada.

Como escolher a combinação certa sem estourar o caixa

A maioria das startups não precisa de oito especialistas em tempo integral. O que funciona é um núcleo empresarial forte (societário + contratos) e acessos pontuais a tributário, trabalhista, LGPD e M&A conforme gatilhos claros.

Um bom sinal de maturidade é transformar dúvidas recorrentes em processos simples: modelo de contrato padrão, política de dados aplicável ao produto, checklist de contratação e desligamento, e um calendário societário básico. Isso reduz custo com horas avulsas e, principalmente, reduz decisões improvisadas.

Na prática, avalie três critérios antes de contratar: risco (o que pode matar a empresa), frequência (o que acontece toda semana) e alavancagem (o que destrava receita ou investimento). Se um tema é raro, mas pode travar rodada, trate cedo. Se é frequente e pequeno, padronize.

O momento certo de chamar cada especialidade

Se você está pré-receita, o societário e contratos resolvem 80% do essencial, desde que bem feitos. Quando começar a vender para empresas maiores, LGPD e contratos ganham peso, porque o jurídico vira parte do processo comercial. Ao acelerar contratações, trabalhista deixa de ser “eventual” e vira prevenção.

Quando aparecer conversa real de investimento ou aquisição — term sheet na mesa, data room sendo pedido — M&A e tributário entram com força. A diferença entre “quase fechou” e “fechou” costuma estar em organização documental e clareza de riscos.

O que esperar de um escritório que atende startups

Você não está comprando textos jurídicos. Você está comprando decisão com responsabilidade: resposta rápida, linguagem clara, visão de negócio e capacidade de priorizar. Startups precisam de advogados que entendam ritmo e saibam dizer “não” quando o risco é alto — e “vamos fazer agora” quando o tempo é o principal inimigo.

Se você busca esse tipo de atuação, a RDM Advogados atende startups com uma visão multidisciplinar — útil quando o problema começa no societário e termina no trabalhista, ou quando um contrato comercial puxa uma discussão de dados e responsabilidade civil.

Fechar as frentes jurídicas certas não é sobre parecer grande; é sobre continuar pequeno o suficiente para ser rápido, e seguro o suficiente para aguentar crescer.

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