{"id":164,"date":"2026-09-05T17:09:41","date_gmt":"2026-09-05T20:09:41","guid":{"rendered":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/vrg-antecipado-direito-a-restituicao-no-leasing\/"},"modified":"2026-09-05T17:09:41","modified_gmt":"2026-09-05T20:09:41","slug":"vrg-antecipado-direito-a-restituicao-no-leasing","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/vrg-antecipado-direito-a-restituicao-no-leasing\/","title":{"rendered":"# VRG Antecipado: Direito \u00e0 Restitui\u00e7\u00e3o no Leasing"},"content":{"rendered":"<h2>VRG Antecipado: Direito \u00e0 Restitui\u00e7\u00e3o no Leasing<\/h2>\n<p class=\"zica-answer-capsule\">O Valor Residual Garantido (VRG) \u00e9 um elemento central nos contratos de arrendamento mercantil \u2014 o chamado leasing. Quando cobrado antecipadamente e dilu\u00eddo nas parcelas mensais, o VRG gerou durante anos uma disputa jur\u00eddica significativa: o consumidor que devolve o bem antes do fim do contrato tem direito \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o dos valores pagos?<\/p>\n<p>A resposta consolidada pelos tribunais superiores \u00e9 sim \u2014 com condi\u00e7\u00f5es. Entender os fundamentos dessa conclus\u00e3o \u00e9 essencial para quem busca exercer esse direito.<\/p>\n<hr>\n<h2>O Que \u00e9 o VRG e Por Que Ele Gera Controv\u00e9rsia<\/h2>\n<p>No leasing, a arrendat\u00e1ria utiliza um bem pertencente \u00e0 arrendadora e, ao final do contrato, pode optar por adquiri-lo, renov\u00e1-lo ou devolv\u00ea-lo. O VRG representa a garantia m\u00ednima do valor do bem ao t\u00e9rmino do contrato.<\/p>\n<p>O problema surge quando a arrendadora incorpora o VRG antecipadamente \u00e0s presta\u00e7\u00f5es mensais. Nessa modelagem, o consumidor paga, ao longo do contrato, valores que incluem n\u00e3o apenas a contrapresta\u00e7\u00e3o pelo uso do bem, mas tamb\u00e9m uma fra\u00e7\u00e3o destinada \u00e0 futura op\u00e7\u00e3o de compra.<\/p>\n<p>Se o contrato \u00e9 rescindido e o bem \u00e9 devolvido, o que acontece com os valores do VRG j\u00e1 quitados? Essa pergunta dividiu a jurisprud\u00eancia durante anos antes de ser pacificada.<\/p>\n<hr>\n<h2>A Posi\u00e7\u00e3o do Superior Tribunal de Justi\u00e7a<\/h2>\n<p>O Superior Tribunal de Justi\u00e7a pacificou a mat\u00e9ria por meio da <strong>S\u00famula 564<\/strong>, que estabelece que a antecipa\u00e7\u00e3o do VRG n\u00e3o descaracteriza o contrato de leasing para fins de rela\u00e7\u00e3o contratual, mas assegura ao arrendat\u00e1rio o direito de restitui\u00e7\u00e3o desses valores em caso de resolu\u00e7\u00e3o antecipada, descontado o valor correspondente \u00e0 frui\u00e7\u00e3o do bem.<\/p>\n<p>A l\u00f3gica \u00e9 direta: se o VRG foi cobrado como parte do pre\u00e7o de uma eventual op\u00e7\u00e3o de compra, e essa op\u00e7\u00e3o n\u00e3o se concretiza porque o contrato foi encerrado antes do prazo, reter esses valores configuraria enriquecimento sem causa por parte da arrendadora.<\/p>\n<p>O STJ tamb\u00e9m firmou entendimento de que a cobran\u00e7a antecipada do VRG <strong>n\u00e3o transforma automaticamente o leasing em compra e venda financiada<\/strong>, o que havia sido objeto de debate na S\u00famula 263 \u2014 posteriormente cancelada \u2014 e substitu\u00eddo pelo entendimento atual da S\u00famula 293.<\/p>\n<hr>\n<h2>Quando o Arrendat\u00e1rio Tem Direito \u00e0 Restitui\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O direito \u00e0 devolu\u00e7\u00e3o dos valores pagos a t\u00edtulo de VRG antecipado depende de alguns elementos:<\/p>\n<p><strong>1. Rescis\u00e3o contratual com devolu\u00e7\u00e3o do bem<\/strong> A restitui\u00e7\u00e3o pressup\u00f5e que o bem tenha sido efetivamente devolvido \u00e0 arrendadora. N\u00e3o h\u00e1 direito \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o do VRG se o arrendat\u00e1rio permanece com o bem ou exerce a op\u00e7\u00e3o de compra.<\/p>\n<p><strong>2. Valores pagos como VRG identific\u00e1veis<\/strong> O contrato precisa demonstrar que parte das presta\u00e7\u00f5es correspondia, de fato, ao VRG antecipado. Contratos mal redigidos ou que diluem o VRG sem identifica\u00e7\u00e3o clara podem dificultar a apura\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o afastam o direito \u2014 apenas exigem per\u00edcia cont\u00e1bil.<\/p>\n<p><strong>3. Dedu\u00e7\u00e3o pela frui\u00e7\u00e3o do bem<\/strong> O arrendat\u00e1rio n\u00e3o recebe de volta tudo que pagou. O valor a ser restitu\u00eddo \u00e9 calculado ap\u00f3s deduzir o montante correspondente ao per\u00edodo em que utilizou o bem. Esse crit\u00e9rio \u00e9 aplicado pelos tribunais para evitar que o consumidor se beneficie do uso sem qualquer contrapresta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<hr>\n<h2>Como Calcular o Valor a Ser Restitu\u00eddo<\/h2>\n<p>N\u00e3o existe f\u00f3rmula legalmente fixada em lei para esse c\u00e1lculo, mas a pr\u00e1tica jur\u00eddica consolidada adota a seguinte estrutura:<\/p>\n<p>| Componente | Descri\u00e7\u00e3o | |&#8212;|&#8212;| | Total pago de VRG | Soma das fra\u00e7\u00f5es de VRG embutidas em cada parcela paga | | Dedu\u00e7\u00e3o pela frui\u00e7\u00e3o | Valor proporcional ao per\u00edodo de uso do bem | | Valor residual a restituir | Total pago de VRG menos a dedu\u00e7\u00e3o |<\/p>\n<p>A apura\u00e7\u00e3o exata geralmente depende de per\u00edcia cont\u00e1bil, especialmente quando o contrato n\u00e3o discrimina o VRG das demais parcelas. Em a\u00e7\u00f5es judiciais, o ju\u00edzo pode determinar liquida\u00e7\u00e3o por arbitramento ou por c\u00e1lculos apresentados pelas partes.<\/p>\n<hr>\n<h2>Resolu\u00e7\u00e3o Antecipada por Inadimpl\u00eancia<\/h2>\n<p>Uma situa\u00e7\u00e3o frequente \u00e9 a rescis\u00e3o contratual motivada por inadimpl\u00eancia do arrendat\u00e1rio, seguida de busca e apreens\u00e3o do bem pela arrendadora.<\/p>\n<p>Nesses casos, o direito \u00e0 restitui\u00e7\u00e3o do VRG antecipado subsiste. O inadimplemento n\u00e3o elimina o enriquecimento sem causa que ocorreria se a arrendadora retivesse valores pagos por uma op\u00e7\u00e3o de compra que nunca se concretizar\u00e1. O STJ reconhece esse direito mesmo quando a rescis\u00e3o decorre de culpa do arrendat\u00e1rio.<\/p>\n<p>A restitui\u00e7\u00e3o, contudo, pode ser objeto de compensa\u00e7\u00e3o com eventuais d\u00e9bitos do arrendat\u00e1rio \u2014 como parcelas em aberto, multas contratuais e despesas com a retomada do bem. Esse encontro de contas \u00e9 realizado judicialmente.<\/p>\n<hr>\n<h2>Prazo Prescricional<\/h2>\n<p>A pretens\u00e3o de restitui\u00e7\u00e3o do VRG antecipado tem natureza pessoal e, portanto, est\u00e1 sujeita ao prazo prescricional de <strong>10 anos<\/strong>, nos termos do artigo 205 do C\u00f3digo Civil, salvo quando se tratar de rela\u00e7\u00e3o de consumo, hip\u00f3tese em que incide o prazo de <strong>5 anos<\/strong> previsto no artigo 27 do C\u00f3digo de Defesa do Consumidor \u2014 contado a partir do conhecimento do dano, conforme entendimento consolidado.<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o entre rela\u00e7\u00e3o de consumo e rela\u00e7\u00e3o empresarial \u00e9 relevante neste ponto. Contratos de leasing firmados por pessoa f\u00edsica ou por empresa em situa\u00e7\u00e3o de hipossufici\u00eancia costumam ser enquadrados como rela\u00e7\u00e3o de consumo pelos tribunais.<\/p>\n<hr>\n<h2>Cl\u00e1usula de N\u00e3o Restitui\u00e7\u00e3o \u00e9 V\u00e1lida?<\/h2>\n<p>Contratos de leasing frequentemente trazem cl\u00e1usulas que preveem a n\u00e3o devolu\u00e7\u00e3o do VRG em caso de rescis\u00e3o antecipada. A validade dessas cl\u00e1usulas \u00e9 questionada com base em dois fundamentos:<\/p>\n<ul>\n<li><strong>Enriquecimento sem causa<\/strong>: vedado pelo artigo 884 do C\u00f3digo Civil.<\/li>\n<li><strong>Abusividade contratual<\/strong>: em rela\u00e7\u00f5es de consumo, o artigo 51 do CDC estabelece nulidade de pleno direito para cl\u00e1usulas que coloquem o consumidor em desvantagem exagerada.<\/li>\n<\/ul>\n<p>O entendimento predominante nos tribunais estaduais e no STJ \u00e9 de que tais cl\u00e1usulas s\u00e3o abusivas quando impedem totalmente a restitui\u00e7\u00e3o, especialmente em contratos com consumidores.<\/p>\n<hr>\n<h2>FAQ: VRG Antecipado e Restitui\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p><strong>O banco pode reter todo o VRG pago se eu devolver o carro?<\/strong> N\u00e3o. A reten\u00e7\u00e3o integral configuraria enriquecimento sem causa. O banco pode descontar o valor correspondente ao per\u00edodo de uso, mas deve devolver o saldo restante.<\/p>\n<p><strong>Preciso de advogado para pedir a restitui\u00e7\u00e3o?<\/strong> Para valores mais elevados e disputas contratuais complexas, a representa\u00e7\u00e3o por advogado \u00e9 recomendada. A\u00e7\u00f5es de restitui\u00e7\u00e3o de VRG tramitam na Justi\u00e7a Comum Estadual.<\/p>\n<p><strong>O que acontece se a arrendadora j\u00e1 vendeu o bem retomado?<\/strong> A venda do bem pela arrendadora n\u00e3o extingue a obriga\u00e7\u00e3o de restituir o VRG. O cr\u00e9dito do arrendat\u00e1rio persiste e pode ser exigido judicialmente.<\/p>\n<p><strong>VRG e entrada s\u00e3o a mesma coisa?<\/strong> N\u00e3o necessariamente. O VRG antecipado \u00e9 o valor residual dilu\u00eddo nas parcelas. Em alguns contratos, parte do VRG \u00e9 paga no ato como valor de entrada, mas os institutos s\u00e3o distintos e sua identifica\u00e7\u00e3o depende da leitura do contrato.<\/p>\n<hr>\n<h2>Considera\u00e7\u00e3o Final<\/h2>\n<p>A restitui\u00e7\u00e3o do VRG antecipado \u00e9 um direito reconhecido pela jurisprud\u00eancia consolidada do STJ, fundamentado na veda\u00e7\u00e3o ao enriquecimento sem causa e, nas rela\u00e7\u00f5es de consumo, no C\u00f3digo de Defesa do Consumidor. O ponto central \u00e9 a devolu\u00e7\u00e3o do bem: sem ela, n\u00e3o h\u00e1 base para o pedido. Com ela, o arrendat\u00e1rio tem direito ao saldo dos valores pagos a t\u00edtulo de VRG, descontada a contrapresta\u00e7\u00e3o pelo per\u00edodo de uso. A apura\u00e7\u00e3o exata desse valor frequentemente exige an\u00e1lise contratual detalhada e, em muitos casos, per\u00edcia t\u00e9cnica.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>VRG Antecipado: Direito \u00e0 Restitui\u00e7\u00e3o no Leasing O Valor Residual Garantido (VRG) \u00e9 um elemento central nos contratos de arrendamento mercantil \u2014 o chamado\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-164","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-advogados"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=164"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":180,"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/164\/revisions\/180"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=164"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=164"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=164"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}