{"id":53,"date":"2026-09-03T16:48:18","date_gmt":"2026-09-03T19:48:18","guid":{"rendered":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/adicional-de-periculosidade-quem-tem-direito\/"},"modified":"2026-09-08T06:59:27","modified_gmt":"2026-09-08T09:59:27","slug":"adicional-de-periculosidade-quem-tem-direito","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/adicional-de-periculosidade-quem-tem-direito\/","title":{"rendered":"Adicional de Periculosidade: Quem Tem Direito"},"content":{"rendered":"<h2>Adicional de Periculosidade: Quem Tem Direito<\/h2>\n<p class=\"zica-answer-capsule\">O adicional de periculosidade \u00e9 uma parcela salarial garantida pela Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) ao trabalhador que exerce atividades em condi\u00e7\u00f5es que oferecem risco acentuado \u00e0 sua integridade f\u00edsica. Entender quem tem direito, qual o valor e como \u00e9 reconhecido evita tanto o n\u00e3o recebimento indevido quanto cobran\u00e7as sem fundamento legal.<\/p>\n<hr>\n<h2>O Que Diz a CLT<\/h2>\n<p>O artigo 193 da CLT prev\u00ea o adicional de periculosidade no percentual de <strong>30% sobre o sal\u00e1rio base<\/strong> do empregado, sem acr\u00e9scimos resultantes de gratifica\u00e7\u00f5es, pr\u00eamios ou participa\u00e7\u00f5es nos lucros. Esse percentual incide sobre a remunera\u00e7\u00e3o base, n\u00e3o sobre o total recebido.<\/p>\n<p>A lei n\u00e3o concede o adicional a qualquer situa\u00e7\u00e3o de risco gen\u00e9rico. Ela exige que o trabalhador esteja <strong>permanente ou habitualmente<\/strong> exposto \u00e0s condi\u00e7\u00f5es enquadradas como perigosas pela norma regulamentadora correspondente.<\/p>\n<hr>\n<h2>Quem Tem Direito ao Adicional de Periculosidade<\/h2>\n<h3>Trabalhadores com inflam\u00e1veis e explosivos<\/h3>\n<p>O inciso I do artigo 193 da CLT abrange quem trabalha em contato permanente com <strong>inflam\u00e1veis ou explosivos<\/strong> em condi\u00e7\u00e3o de risco acentuado. S\u00e3o exemplos t\u00edpicos frentistas de postos de gasolina, operadores de dep\u00f3sitos de GLP, trabalhadores em refinarias e em processos industriais que manuseiam subst\u00e2ncias de alta inflamabilidade.<\/p>\n<p>A caracteriza\u00e7\u00e3o depende do enquadramento nas Normas Regulamentadoras do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego, especialmente a <strong>NR-16<\/strong>, que lista as atividades e opera\u00e7\u00f5es perigosas com inflam\u00e1veis, explosivos e energia el\u00e9trica.<\/p>\n<h3>Trabalhadores com energia el\u00e9trica<\/h3>\n<p>Tamb\u00e9m inclu\u00eddos no artigo 193, os empregados que trabalham em sistemas el\u00e9tricos de pot\u00eancia \u2014 gera\u00e7\u00e3o, transmiss\u00e3o, distribui\u00e7\u00e3o e consumo \u2014 em condi\u00e7\u00f5es de risco t\u00eam direito ao adicional. Eletricistas, t\u00e9cnicos de manuten\u00e7\u00e3o em subesta\u00e7\u00f5es e operadores de redes energizadas s\u00e3o exemplos comuns.<\/p>\n<p>A NR-16 e a <strong>NR-10<\/strong> (seguran\u00e7a em instala\u00e7\u00f5es el\u00e9tricas) delimitam as situa\u00e7\u00f5es que configuram periculosidade nesse grupo.<\/p>\n<h3>Vigilantes e seguran\u00e7a pessoal<\/h3>\n<p>O par\u00e1grafo 3\u00ba do artigo 193 da CLT reconhece o direito ao adicional para trabalhadores em <strong>atividades de seguran\u00e7a pessoal ou patrimonial<\/strong>, incluindo vigilantes. Isso alcan\u00e7a tanto profissionais de empresas de seguran\u00e7a quanto empregados contratados diretamente para fun\u00e7\u00f5es equivalentes, desde que a atividade envolva exposi\u00e7\u00e3o a roubos ou outras viol\u00eancias f\u00edsicas.<\/p>\n<h3>Motociclistas profissionais<\/h3>\n<p>O par\u00e1grafo 4\u00ba do artigo 193, inserido pela Lei n\u00ba 12.997\/2014, estendeu o adicional ao trabalhador que utiliza <strong>motocicleta no exerc\u00edcio de suas fun\u00e7\u00f5es<\/strong>. Motoboys, motofretistas e outros profissionais que utilizam esse ve\u00edculo como instrumento de trabalho t\u00eam direito ao benef\u00edcio, independentemente do segmento de atua\u00e7\u00e3o da empresa.<\/p>\n<h3>Trabalhadores em radia\u00e7\u00f5es ionizantes ou subst\u00e2ncias radioativas<\/h3>\n<p>A CLT tamb\u00e9m alcan\u00e7a quem opera ou permanece em contato com <strong>radia\u00e7\u00f5es ionizantes e subst\u00e2ncias radioativas<\/strong> em n\u00edvel de risco acentuado. Profissionais de sa\u00fade que atuam em radioterapia, medicina nuclear e ind\u00fastrias que manipulam material radioativo integram esse grupo.<\/p>\n<hr>\n<h2>Condi\u00e7\u00f5es para o Reconhecimento do Direito<\/h2>\n<h3>Exposi\u00e7\u00e3o permanente ou habitual<\/h3>\n<p>O trabalhador precisa estar exposto de forma <strong>permanente ou habitual<\/strong> \u00e0 situa\u00e7\u00e3o de risco. Exposi\u00e7\u00e3o eventual, espor\u00e1dica ou acidental, em regra, n\u00e3o gera direito ao adicional. A interpreta\u00e7\u00e3o sobre o que configura habitualidade pode variar em cada caso concreto.<\/p>\n<h3>Laudo t\u00e9cnico<\/h3>\n<p>O reconhecimento da periculosidade depende, em regra, de <strong>laudo pericial<\/strong> elaborado por m\u00e9dico do trabalho ou engenheiro de seguran\u00e7a do trabalho, conforme previsto na CLT. Na esfera judicial, quando h\u00e1 disputa, o juiz pode determinar per\u00edcia oficial. Na esfera administrativa ou por negocia\u00e7\u00e3o coletiva, laudos t\u00e9cnicos privados tamb\u00e9m s\u00e3o utilizados.<\/p>\n<h3>Acordo ou conven\u00e7\u00e3o coletiva<\/h3>\n<p>A CLT autoriza que acordos e conven\u00e7\u00f5es coletivas de trabalho disponham sobre o adicional de periculosidade. Categorias profissionais podem ter condi\u00e7\u00f5es espec\u00edficas negociadas, o que pode ampliar ou detalhar os crit\u00e9rios de reconhecimento previstos em lei.<\/p>\n<hr>\n<h2>Adicional de Periculosidade e Adicional de Insalubridade: Diferen\u00e7a Essencial<\/h2>\n<p>Os dois adicionais n\u00e3o se confundem e <strong>n\u00e3o s\u00e3o cumulativos<\/strong>. O trabalhador que tiver direito a ambos dever\u00e1 optar por apenas um, conforme o artigo 193, par\u00e1grafo 2\u00ba, da CLT.<\/p>\n<p>| Crit\u00e9rio | Periculosidade | Insalubridade | |&#8212;|&#8212;|&#8212;| | Base legal | Art. 193 da CLT | Art. 192 da CLT | | Percentual | 30% sobre sal\u00e1rio base | 10%, 20% ou 40% sobre sal\u00e1rio m\u00ednimo | | Fundamento | Risco \u00e0 integridade f\u00edsica | Exposi\u00e7\u00e3o a agentes nocivos \u00e0 sa\u00fade | | Cumula\u00e7\u00e3o entre si | N\u00e3o permitida (deve optar) | N\u00e3o permitida (deve optar) |<\/p>\n<p>A distin\u00e7\u00e3o pr\u00e1tica importa: a periculosidade remunera o <strong>risco de vida ou integridade<\/strong>, enquanto a insalubridade remunera o <strong>dano potencial \u00e0 sa\u00fade<\/strong> por agentes f\u00edsicos, qu\u00edmicos ou biol\u00f3gicos.<\/p>\n<hr>\n<h2>Como Requerer o Adicional<\/h2>\n<h3>Via negocia\u00e7\u00e3o com o empregador<\/h3>\n<p>O empregado pode apresentar laudo t\u00e9cnico ao empregador e solicitar o reconhecimento administrativo do adicional. Muitas empresas possuem SESMT (Servi\u00e7o Especializado em Engenharia de Seguran\u00e7a e em Medicina do Trabalho) que pode elaborar ou validar o laudo internamente.<\/p>\n<h3>Via reclama\u00e7\u00e3o trabalhista<\/h3>\n<p>Se o empregador n\u00e3o reconhecer o direito, o trabalhador pode ajuizar reclama\u00e7\u00e3o trabalhista na Justi\u00e7a do Trabalho. Nesse caso, o juiz determinar\u00e1 per\u00edcia t\u00e9cnica para avaliar as condi\u00e7\u00f5es de trabalho. A a\u00e7\u00e3o pode incluir o pedido de pagamento retroativo, observado o prazo prescricional.<\/p>\n<h3>Prazo prescricional<\/h3>\n<p>O trabalhador com v\u00ednculo ativo tem at\u00e9 <strong>dois anos ap\u00f3s o t\u00e9rmino do contrato<\/strong> para ingressar com a a\u00e7\u00e3o. Durante o contrato, pode reclamar as parcelas dos <strong>\u00faltimos cinco anos<\/strong>, respeitada a prescri\u00e7\u00e3o quinquenal prevista no artigo 7\u00ba, inciso XXIX, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal.<\/p>\n<hr>\n<h2>Perguntas Frequentes<\/h2>\n<p><strong>O adicional de periculosidade integra a remunera\u00e7\u00e3o para c\u00e1lculo de outros direitos?<\/strong> Sim. Uma vez reconhecido, o adicional integra a remunera\u00e7\u00e3o e repercute em f\u00e9rias, 13\u00ba sal\u00e1rio, FGTS e demais verbas calculadas sobre a remunera\u00e7\u00e3o total.<\/p>\n<p><strong>Trabalhador em home office pode ter direito ao adicional?<\/strong> Depende exclusivamente das condi\u00e7\u00f5es reais de trabalho. Se o trabalhador remoto manuseia materiais enquadrados como perigosos ou opera sistemas el\u00e9tricos de pot\u00eancia no ambiente dom\u00e9stico, a periculosidade pode ser caracterizada. A an\u00e1lise \u00e9 sempre f\u00e1tica e depende de laudo t\u00e9cnico.<\/p>\n<p><strong>Empregado dom\u00e9stico tem direito ao adicional?<\/strong> A Lei Complementar n\u00ba 150\/2015, que regula o trabalho dom\u00e9stico, n\u00e3o estendeu o adicional de periculosidade a essa categoria. Empregados dom\u00e9sticos, em regra, n\u00e3o t\u00eam direito ao benef\u00edcio.<\/p>\n<p><strong>O empregador pode cancelar o adicional?<\/strong> Se as condi\u00e7\u00f5es de risco forem eliminadas ou neutralizadas \u2014 com EPC (Equipamento de Prote\u00e7\u00e3o Coletiva) ou EPI eficaz que afaste o risco \u2014 o adicional pode ser suprimido, desde que devidamente comprovado por laudo t\u00e9cnico atualizado.<\/p>\n<hr>\n<h2>Ponto de Aten\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>O direito ao adicional de periculosidade \u00e9 sempre <strong>situacional e dependente de an\u00e1lise t\u00e9cnica<\/strong>. A simples percep\u00e7\u00e3o de risco pelo trabalhador n\u00e3o basta; \u00e9 preciso que as condi\u00e7\u00f5es se enquadrem nas hip\u00f3teses legais e regulamentares. Da mesma forma, o empregador n\u00e3o pode negar o adicional apenas porque fornece EPI, se o equipamento n\u00e3o neutralizar completamente o risco apontado no laudo.<\/p>\n<p>Consultar um advogado trabalhista ou engenheiro de seguran\u00e7a do trabalho \u00e9 o caminho mais seguro para avaliar a situa\u00e7\u00e3o concreta antes de qualquer decis\u00e3o.<\/p>\n<aside class=\"rdm-interlink\" data-rdm=\"interlink-v1\">\n<h2>Leia tamb\u00e9m<\/h2>\n<p>Este artigo faz parte do tema <a href=\"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/advogado-trabalhista\/\"><strong>Direito trabalhista<\/strong><\/a>. Para entender como o escrit\u00f3rio atua nesse tema, veja a p\u00e1gina <a href=\"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/advogado-trabalhista\/\">Direito trabalhista<\/a>.<\/p>\n<ul>\n<li><a href=\"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/como-funciona-demissao-sem-pagamento-das-verbas-rescisorias\/\">Como funciona demiss\u00e3o sem pagamento das verbas rescis\u00f3rias<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/como-funciona-estabilidade-apos-acidente-de-trabalho\/\">Como funciona estabilidade ap\u00f3s acidente de trabalho<\/a><\/li>\n<li><a href=\"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/direitos-e-riscos-em-demissao-sem-pagamento-das-verbas-rescisorias\/\">Direitos e riscos em demiss\u00e3o sem pagamento das verbas rescis\u00f3rias<\/a><\/li>\n<\/ul>\n<p><a class=\"rdm-cta\" href=\"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/advogado-trabalhista\/#conteudo\">Apresentar o caso pelo canal seguro<\/a><\/p>\n<\/aside>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Adicional de Periculosidade: Quem Tem Direito O adicional de periculosidade \u00e9 uma parcela salarial garantida pela Consolida\u00e7\u00e3o das Leis do Trabalho (CLT) ao\u2026<\/p>\n","protected":false},"author":0,"featured_media":52,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[21,4],"tags":[],"class_list":["post-53","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-nicho-trabalhista","category-trabalhista"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=53"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":3803,"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/53\/revisions\/3803"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/52"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=53"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=53"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/rdmadvogados.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=53"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}